Arte e CulturaPode dizer-se que Portugal é um pequeno museu arquitectónico e artístico. Possui vários testemunhos temporais que marcaram o passado e que fazem o presente.Da arquitectura românica (XI-XIII) são exemplos a Domus Municipalis de Bragança e as sés de Braga, Porto e Coimbra.O gótico está bem patente em edifícios como o Mosteiro (Abadia) de Alcobaça, o Mosteiro da Batalha e a Sé de Évora. Em Portugal surgiu uma variante arquitectónica própria, o Manuelino, derivada do gótico já em fase final, onde estão presentes motivos marinhos e marítimos, fruto das descobertas marítimas portuguesas. Entre os exemplos mais marcantes desta época, merecem referência o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e a janela do Convento de Cristo em Tomar.A Casa dos Bicos em Lisboa é um bom exemplo da arquitectura renascentista, mas é na pintura que o Renascimento melhor se identifica com nomes como Grão Vasco e Nuno Gonçalves, o famoso pintor dos painéis de S. Vicente de Fora.O barroco foi também uma época bastante importante no mundo das artes: a torre sineira da Igreja dos Clérigos, de Nicolau Nasoni, e a Igreja de Sta. Clara, ambas no Porto, são dois testemunhos importantes desta corrente artística, assim como o Convento de Mafra é o grande representante do estilo barroco português, o chamado barroco joanino.De estilo neoclássico, destacam-se o Palácio da Bolsa, no Porto, e a Capela de S. João Baptista da Igreja de S. Roque, em Lisboa.O romantismo foi uma época marcada essencialmente pela pintura, com nomes como Tomás da Anunciação e Francisco Augusto Metrass.
O modernismo teve lugar já em finais do século XIX e princípios do século XX, dele fazem parte obras como a Ponte de D. Maria, no Porto, projecto do famoso arquitecto Gustave Eiffel, autor da conhecida Torre Eiffel, em Paris, França.No século XX, encontram-se nomes como: António Areal, cujo trabalho de pintura e escultura se insere no Surrealismo, Abstraccionismo, Neofigurativismo e na Arte Pop; Nadir Afonso, enquadrado no Abstraccionismo; Paula Rego, cujos trabalhos também passaram por várias correntes artísticas, desde o Surrealismo à Arte Pop; Maluda, famosa pela sua pintura paisagística peculiar; Cargaleiro, pintor e ceramista; Siza Vieira, arquitecto de fama internacional, autor do projecto da Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, e do pavilhão de Portugal na Expo'98; e por último, embora se pudessem citar muitos mais, Eduardo Souto Moura, arquitecto que alcançou fama internacional com a apresentação e aprovação em concurso de um projecto para um hotel na zona histórica de Salzburgo, na Áustria.
No campo da Literatura, uma das maiores riquezas culturais do país, Portugal percorreu um vasto caminho na ampulheta do tempo. As primeiras manifestações literárias remontam aos séculos XI-XIII e estão reunidas em cancioneiros, de que são exemplo as cantigas (textos em verso) compostas pelo rei D. Dinis. Mais tarde, em pleno renascimento, nasce o grande poeta português, Luís de Camões, autor do poema épico Os Lusíadas e de uma vasta obra lírica, cujo tema do amor se encontra aí sublimado, como é exemplo o poema "Amor é fogo que arde sem se ver". Posteriormente, o barroco é representado por nomes como Rodrigues Lobo (Corte na Aldeia), D. Francisco Manuel de Melo (Carta de Guia de Casados), e Padre António Vieira, famoso pelos seus sermões, como o Sermão de Santo António aos Peixes. No século XVIII, nasce um dos melhores poetas neoclássicos portugueses, Bocage. Depois, já no romantismo (XIX), surgem os grandes nomes da prosa portuguesa tais como: Almeida Garrett, que escreveu a emblemática peça de teatro Frei Luís de Sousa e a obra narrativa Viagens na Minha Terra; e Alexandre Herculano, em cuja obra poética e narrativa (por exemplo, Eurico, o Presbítero) está patente a vertente histórica. Na segunda metade do século XIX, ao realismo/naturalismo está ligado o nome de Eça de Queirós, um grande prosador nacional, autor de Os Maias. Surge, entretanto, o Simbolismo, introduzido em Portugal por Eugénio de Castro, de que se salientam também os nomes de António Nobre e Camilo Pessanha. A par do Simbolismo, aparece, com Teixeira de Pascoaes, um movimento artístico nacionalista, o Saudosismo, que pretende exaltar a "alma nacional". Já no dealbar do século XX, aparecem nomes ligados aos movimentos do Modernismo, do Surrealismo e do Futurismo, entre os quais Fernando Pessoa, considerado um génio da poesia portuguesa, Mário de Sá-Carneiro e Almada-Negreiros.
Em 1940, durante o período conturbado da Segunda Guerra Mundial e em plena época ditatorial, surge uma corrente preocupada com a representação dos problemas sociais e humanos, a que se chamou Neo-Realismo, da qual fazem parte nomes como Alves Redol e Fernando Namora. Portugal está repleto de bons escritores contemporâneos, entre eles Vergílio Ferreira, Agustina Bessa-Luís, Sophia de Mello Breyner, António Lobo Antunes e José Saramago (Prémio Nobel da Literatura, 1998).
Na música, de entre os interesses musicais que se cultivam no país, destaca-se o fado, considerado a canção nacional. A fadista Amália Rodrigues, já falecida, e o guitarrista Carlos Paredes são os expoentes deste género musical.
(infopédia)